Na quinta-feira, 25 de dezembro, em entrevista por telefone com Camila Jara na Rádio BioBio, abordamos um tema incómodo mas inevitável: a época dos incêndios florestais já está em curso e nesse dia foram reportados 10 holofotes ativos no país.
No VIPER entramos nessa conversa de um ângulo prático: quando uma emergência cresce, a primeira coisa que quebra não é a vontade de responder, mas a coordenação.
O verdadeiro problema: quando a emergência excede a capacidade local
Na entrevista, Camilo (nosso Diretor de Operações) explicou por que, em incêndios florestais e emergências de grande escala, o principal desafio é organizar apoio mútuo entre instituições, sob princípios de gestão e redução do risco de desastres: colaboração com vizinhos e uso escalonado de recursos.
Essa necessidade específica foi a origem SIDER (Sistema de Despacho Regional): uma camada de coordenação regional que permite passar de uma resposta “por órgão” para uma resposta por região, com controle operacional e visibilidade em tempo real.
O que é o SIDER: uma “supracentral” para coordenar os recursos regionais
O SIDER funciona como centro de coordenação regional (“supracentral”) que consolida a disponibilidade de recursos de uma região e permite despachos coordenados quando um comandante solicita apoio adicional.
Para aterrá-lo com um exemplo mencionado no ar: em caso de incêndio na interface em Flórida (com alerta amarelo até minutos antes), o comandante do incidente solicitou reforços e a coordenação regional foi acionada para organizar três caminhões-tanque em apoio ao trabalho do Corpo de Bombeiros de Ñuñoa, com envio imediato mediante disponibilidade regional.
Na Região Metropolitana essa coordenação se traduz em escala real: 23 bombeiros e mais de 370 veículos de emergência disponível para apoio regional quando a situação o exigir.
Cobertura e implantação: da plataforma local à integração regional
Na entrevista partilhamos números que explicam porque esta abordagem funciona: hoje trabalhamos com cerca de 124 corpos de bombeiros, o que equivale a ~82–84% de cobertura populacional (especialmente nas grandes cidades).
Onde o SIDER já está implementado (como na RM), a cobertura atinge 100%. Ao nível da infra-estrutura operacional, falava-se numa ordem de ~400 quartéis conectados e simultâneos em uma fonte de informação.
Sobre a evolução: VIPER saiu quase 10 anos entrega de notificação aos bombeiros (na entrevista é mencionado “DIPER”, como referência ao conceito do tipo “pager”), e o integração regional cumprido dois anos na ressonância magnética, já expandindo para três regiões adicionais, com mais dois em instalação.
Não são apenas bombeiros: coordenação multiorganizacional
Um dos pontos centrais foi que o SIDER não se limita a “bombeiros com bombeiros”. Na VIPER integramos informações intrainstitucional e interinstitucional, escalando para um modelo multiorganização para que, numa mesma emergência, os recursos disponíveis sejam os mais eficientes (bombeiros, saúde/ambulâncias, segurança pública).
E isto é apoiado por uma decisão arquitetônica: a plataforma é na nuvem e é desenvolvido no Chile pela nossa equipe, o que facilita a implantação, a escalabilidade e a padronização operacional.
Incêndios florestais: integração de informações com CONAF e SENAPRED, mais sinais do terreno
Na secção mais direta sobre a época de incêndios, foi explicado que estamos a promover um esforço de integração para cruzar informação entre bombeiros, CONAF, SENAPRED e escritórios regionais de prevenção de riscos, permitindo coordenação e visão compartilhada para a tomada de decisões.
Além disso, a integração de fontes adicionais, como reclamações do bairro e publicações em redes sociais, onde o sistema compara sinais com emergências já despachadas e, caso detecte uma nova, emite um alerta ao operador correspondente (foi dado o exemplo de identificar uma localização e notificar o operador do território, como em Linares).
A causa raiz: prevenção e educação
Camilo também fez questão de ressaltar: mais de 98% das causas dos incêndios florestais são antrópico, ou seja, decorrem da ação humana por intenção ou descuido. Isto exige manter a prevenção e a educação como estratégia estrutural, enquanto a resposta operacional é reforçada com coordenação e preparação.
Objetivo e foco operacional
A entrevista encerrou com a definição que norteia o trabalho: na VIPER continuamos construindo tecnologia para operar no primeiro minuto crítico, coordenando melhor e mais rápido, com um propósito explícito: “salvar uma vida todos os dias”.
